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domingo, 14 de dezembro de 2014

A MACONHA É UMA DROGA - Veja 17 de dezembro de 2014

Adriana Dias Lopes assina matéria na Revista Veja de 17 de Dezembro de 2014 intitulada "A Maconha é uma Droga".

Uma pesquisa coordenada por Francesca Filbey na Faculdade de Comportamento e Ciências do Cérebro da Universidade do Cérebro nos EUA comprovou os danos do uso crônico da maconha.
Segundo a pesquisa, realizada com jovens de idade média de 29 anos, o uso de maconha 4 vezes por semana ao longo de 8 anos alteram a arquitetura e o funcionamento do cérebro. Afeta o córtex orbitoffrontal prejudicando a tomada de decisões e a motivação. O risco de desenvolver depressão e transtorno afetivo bipolar dobra, o de esquizofrenia triplica! Há ainda aumento de impulsividade, perda de crítica e redução da capacidade de organização.

O Psiquiatra Jaime Hallak, da USP de Ribeirão Preto, explica os danos do uso de maconha na adolescência, época na qual ocorre a poda neuronal - triagem das sinapses que devem ser preservadas e das que serão eliminadas - "a droga faz com que as sinapses que deveriam se fortalecer se tornem débeis e as que deveriam desaparecer ganham força".

O THC imita a ação de substancias naturalmente fabricadas pelo corpo - os endocanabidióides - nem o álcool, nem a cocaína nem o crack afetam o cérebro de modo tão intenso e por tanto tempo após a interrupção do uso.

A matéria fala ainda dos riscos associados ao uso agudo, como paranóia, quadros psicóticos, quadros de pânico e ansiedade, e conclui que a maconha é sempre uma droga.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

EPTV Campinas - Maior parte dos crimes em Campinas está relacionada ao tráfico


 

Furtos e latrocínios estão relacionados com estatística, segundo a Dise.
Foram registradas 589 prisões ou apreensões de entorpecentes até junho.

A médica psiquiatra, especialista em dependência química, Débora Christina Ribas D'Ávila afirma que o uso de drogas retira do usuário o senso crítico. "A pessoa não tem mais a capacidade de avaliar o que é correto ou errado", explica.

A maior parte dos crimes de furto e latrocínio cometidos em Campinas (SP) está relacionada ao tráfico ou ao consumo de drogas, segundo as investigações da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise). Os casos de prisões ou apreensões envolvendo entorpecentes aumentaram 25% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP).
O balanço mostra que até junho foram registradas 589 ocorrências e em 2011, 469 casos. Segundo o delegado da Dise, Oswaldo Diez, a estatística não revela se houve aumento ou diminuição real no tráfico. "O que temos como parâmetro é que houve aumento de prisões e apreensões", afirma.
saiba mais.
Segundo a SSP-SP, as drogas mais relacionadas à criminalidade são a cocaína e o crack. "Em decorrência da droga, o usuário pode cometer um crime banal como furto de veículos ou gravíssimo como latrocínio", diz. Os indicadores da criminalidade de veículos levados por criminosos aumentaram 9%, sendo 2.723 casos no semestre, e de latrocínio 300%, como os registros de quatro ocorrências.

EPTV Campinas - Registros de jovens envolvidos com tráfico crescem 7,6% em Campinas

 

Delegacia de Infância e Juventude soma 127 casos de janeiro a agosto.
Drogas mais consumidas pelos jovens são maconha, crack e cocaína.


O número de ocorrências por tráfico de drogas envolvendo crianças e adolescentes em Campinas (SP) cresceu 7,6% nos primeiros oito meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2011, segundo balanço da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). A Delegacia de Infância e Juventude (Diju) registrou 127 casos neste ano, contra 118 no ano passado.

Segundo a Polícia Civil, as drogas mais consumidas pelos jovens são maconha, crack e cocaína. O delegado da Diju, Carlos Simionato, explica que as ações para coibir o crime são realizadas com frequência em locais próximos às escolas, mas admite dificuldades. "A Polícia Militar e a Guarda Municipal fazem um trabalho incansável. Os locais são numerosos, distantes e obviamente o usuário, convivendo ali diariamente, ele percebe quando há ronda escolar, que a coisa fica mais frágil", diz o delegado. No município, os registros por tráfico de drogas, de todos os tipos, cresceram 15% em Campinas - passou de 669 para 773 prisões ou apreensões.

Para Simionato, as famílias devem atuar de forma mais vigilante para auxiliar no combate ao crime. "Nós precisaríamos fazer um trabalho preventivo em todos os níveis sociais, mas principalmente focado na família. É preciso tomar conta dos seus filhos, saber o que ele está fazendo, onde está arrumando dinheiro e repreender", aponta o delegado.

Danos e prevenção

 A psiquiatra Débora Christina Ribas D'Ávila alerta sobre o risco de comprometimento do aprendizado das crianças e adolescentes, caso um dos alunos do grupo faça uso de entorpecentes.

"Isso começa a banalizar o uso de drogas, pois as crianças que estão em sala de aula, e não fizeram uso ainda, começam a perceber que alguns colegas entram alterados para assistir a aula. Essa mudança tira desses colegas a angústia, preocupação, medo de não se sentir incluído no grupo", explica a médica.

Outro lado

 O Conselho Tutelar diz que desenvolve programas de prevenção às drogas. A Secretaria de Educação afirma ter solicitado reforço da PM e orientado a Diretoria Regional de Ensino para que a escola estadual citada na reportagem intensifique as ações de conscientização.

EPTV Campinas - Psiquiatra explica quais as reações do corpo durante um sequestro


Reações do corpo

A psiquiatra Debora Christina Ribas D'Ávila explica que o corpo humano, durante situações em que é exposto a situações de risco, produz adrenalina e cortizol em maior concentração. "São esses hormônios que farão com que o cérebro funcione muito rápido, para que a gente consiga pensar em várias coisas em pouco tempo, ative nossa memória de situações parecidas no passado e programe um comportamento".

A violência provoca traumas que a maioria das vítimas não consegue esquecer. Um estudante de Campinas (SP), que prefere não se identificar, recorda os momentos que passou ao lado de criminosos durante um sequestro relâmpago.
"É um filme de suspense que passa dentro da sua cabeça. Você fica ali nas mãos do sequestrador. E várias pessoas passando ao seu lado no carro e levando a vida normal. Você fica sem saber o que fazer, é uma sensação que não quero passar nunca mais", conta o estudante. Ele ficou em poder dos ladrões durante 30 minutos

Outra vítima, que também teme em expor o rosto, foi rendida por três pessoas e teve que dirigir enquanto os agressores praticavam assaltos. "Pensava na minha família, nos meus filhos, netos. Pensei que dali não sairia vivo".



domingo, 21 de agosto de 2011

Eles têm culpa, sim - ANTHONY DANIELS - Revista Veja, 17 de agosto de 2011



OPsiquiatra e escritor inglês diz que as teorias sociológicas e psicológicas para explicar o Crime e o vício em drogas produzem cidadãos que não assumem suas responsabilidades.



Entrevista ANTHONY DANIELS



Revista Veja, 17 de agosto de 2011



O psiquiatra inglês Anthony Da­niels, de 61 anos, é mais conhe­cido em seu país como Theodore Dalrymple, pseudônimo utili­zado por ele em artigos com análises impiedosas mas realistas sobre o siste­ma prisional, o comportamento dos cri­minosos e o vício em drogas, entre ou­tros temas.



Aposentado desde 2005, começou a escrever sobre sua expe­riência de quinze anos como Médico em prisões britânicas quando ainda es­tava na ativa, daí a necessidade de assi­nar com outro nome. Antes, trabalhou em países africanos como Tanzânia, África do Sul e Zimbábue. Daniels é autor de 22 livros e colaborador regular de publicações como a revista The Spectator e o jornal The Telegraph. Re­centemente, escritos seus sobre a im­portância da religião foram citados no manifesto de Anders Breivik, o autor do massacre na Noruega. "Não fiquei nada feliz com isso", diz Daniels. Na semana passada, em visita ao Brasil, ele falou a VEJA.



O senhor costuma dizer que a influência das teses do suíço Jean-Jacques Rous­seau (1712-1778) prejudicou a noção de responsabilidade no mundo atual. Por quê?



Rousseau difundiu a idéia de que o ser humano é naturalmente bom, e que a: sociedade o corrompe. Eu não sou religioso, mas considero a visão cristã de que o homem nasce com o pecado original mais realista. Isso não significa que o homem é ine­vitavelmente mau, mas que tem de lu­tar· contra o mal dentro de si. Por in­fluência de Rousseau, nossas socieda­des relativizaram a responsabilidade dos indivíduos. O pensamento intelec­tual dominante procura explicar o comportamento das pessoas como uma conseqüência de seu passado, de suas circunstâncias psicológicas e de suas condições econômicas. Infeliz­mente, essas teses são absorvidas pela população de todos os estratos sociais. Quando trabalhava como médico em prisões inglesas, com freqüência ouvia detentos sem uma boa educação formal repetindo teorias sociológicas e psicológicas difundidas pelas uni­versidades. Com isso, não apenas se sentiam menos culpados por seus atos criminosos, como de fato eram trata­dos dessa maneira. Trata-se de uma situação muito conveniente para os bandidos, pois permite manter a cons­ciência tranqüila. Podem dizer que roubam porque não tiveram oportuni­dades de estudo, porque nasceram na pobreza ou porque sofreram algum trauma de infância, entre outras des­culpas. "Enquanto a sociedade não mudar, não se pode esperar que eu me comporte de outra forma", tal é o dis­curso corrente entre os presos.



Por que os intelectuais incentivam esse pensamento?



Intelectuais são, em geral, pessoas muito desonestas. Eles não pensam em si mesmos como irrespon­sáveis, mas costumam atribuir essa ca­racterística a outras pessoas com gran­de facilidade. Ao criarem explicações sociológicas e psicológicas para des­vios de comportamento, eles acabam por desumanizar os criminosos. Um exemplo disso ocorreu na Inglaterra anos atrás, quando houve uma onda de furtos de cano. Os bandidos envolvi­dos nesses crimes, além de lucrar com isso, realmente gostavam da emoção de furtar muitos veículos em um curto pe­ríodo de tempo. Alguns criminologis­tas e psicólogos, ao analisar o fenôme­no, começaram a dizer que furtar car­ros era uma forma de vício. Sobre essa teoria, produziram-se inúmeros estu­dos, alguns dos quais incluíam até exa­mes de ressonância magnética do cére­bro dos bandidos, para provar que se tratava de uma doença neurológica. Em pouco tempo, os ladrões de carro co­meçaram a me dizer na cadeia que eram viciados em furtar veículos. Eles obviamente não chegaram a essa con­clusão sozinhos. Apenas estavam repe­tindo urna tese produzida por arrogan­tes intelectuais de classe média que desconsideravam o fato de os bandidos serem capazes de escolher entre o certo e o errado independentemente de fato­res externos. Negar sua capacidade de discernimento é o mesmo que diminuir sua humanidade.



Isso também vale para criminosos com prováveis distúrbios mentais, como An­ders Breivik, que matou 77 pessoas no mês passado na Noruega?



Sim. Breivik pode ser louco, mas nem por isso é menos responsável por seus atos. Na tradição legal anglo-saxônica, o mero fato de você ser doente mental não sig­nifica que não esteja apto a responder por um crime. Depende do tipo e do grau da loucura. Suponhamos que os médicos descubram que Breivik tem um tumor no lobo frontal do cérebro. Em casos como esse, o indivíduo pode, sim, ser menos responsável por seus atos. Da mesma forma, muitos idosos com Alzheimer perdem a inibição se­xual e comportam-se de maneira ina­propriada. Há, portanto, algumas doen­ças neurológicas que atrapalham a ca­pacidade da pessoa de ter consciência plena de seus atos criminosos ou antis­sociais. Não acho que Breivik se encai­xe em nenhuma dessas categorias.



É possível arriscar um diagnóstico sobre Breivik?



O assassino norueguês é, ob­viamente, um homem muito estranho. , Ele tentou justificar a matança com um manifesto de 1500 páginas. A leitura de algumas páginas é suficiente para notar características muito claras.



A primeira é que ele acredita ter en­contrado as respostas para todos os problemas do mundo. A segunda é que ele é paranóico, pois pensa que há uma grande conspiração destruindo seu país. Terceiro, ele é narcisista. Breivik tem uma idéia muito elevada e exage­rada de sua própria aparência. À parte tudo isso, ele também tem inúmeros ressentimentos pessoais. Seu pai o abandonou quando ele era ainda muito jovem, por exemplo. A verdade, po­rém, é que nada disso serve para traçar o perfil de um assassino como ele. É possível encontrar muitas pessoas com as mesmas características e que nunca fizeram ou farão o que ele fez.



Em seu manifesto, a frieza de Breivik es­tá expressa na convicção de uma verda­de absoluta sobre o mundo. O senhor identificou frieza parecida, beirando a psicopatia, ao analisar a obra de ficção de Cesare Battisti, o terrorista de es­querda que foi condenado por quatro as­sassinatos na Itália e ganhou visto de permanência para viver no Brasil. O se­nhor vê semelhanças entre os dois?



Há semelhanças, sim. Ambos tinham certeza de que, com seus crimes, estavam fazendo o bem. Isso, evidentemente, demonstra que não tinham nenhum senso de proporção. Eles não conse­guiam perceber que sua irritação em relação à sociedade, ao sistema político e ao governo de seu país era, na verda­de, irrelevante e de uma dimensão muito inferior comparada a todos os outros problemas da humanidade. Sem esse freio psicológico ou moral, eles se con­sideraram no direito de dispor da vida de inocentes como bem entenderam.



Como explicar a simpatia de intelectuais e políticos brasileiros por Battisti?





Acho que, na visão dessas pessoas, Battisti teve coragem de exibir uma brutalidade que elas gostariam de ter tido em algum momento da vida. Ao apoiá-lo, elas dão respaldo simbólico a um passado pessoal perdido. Além disso, os crimes perpetrados por esta­dos e grupos totalitários de esquerda ainda encontram justificativa ideológi­ca. Muita gente acredita piamente que os erros cometidos em nome do co­munismo foram por uma causa nobre, o que é um absurdo. Em especial, os intelectuais que compactuavam com o marxismo. Dá para entender: eles eram levados a acreditar que tinham um papel de liderança na sociedade. Com o desmoronamento do Muro de Berlim, foram empurrados para a irre­levância. Tudo o que esses intelec­tuais mais odeiam é uma sociedade que não precisa deles. Por isso, prote­gem indivíduos como Battisti: para reviver um período idealizado.



O senhor é a favor de prender consumidores de drogas?



A maneira como ve­mos o vício de drogas é errada. Trata­mos os viciados como vítimas, incapa­zes de ser responsabilizados por suas escolhas. Isso é falso. Eles não são ví­timas de seu próprio comportamento. Não existe droga tão viciante a ponto de ser impossível livrar-se dela. Os drogados usam os entorpecentes por uma decisão pessoal. Isso não significa que eu não me solidarize com essas pessoas. O estado mental que as drogas induzem é muito atraente para elas, em comparação com sua realidade. Mas, quando cometessem algum crime, ain­da que pequeno, sob efeito de drogas ou para comprá-las, os viciados deve­riam ser forçados a entrar em uma clínica de reabilitação. Se não aceitassem o tratamento, deveriam ser mandados para a prisão. Isso lhes daria motivação para levar a sério o processo de reabili­tação, pois o maior problema com o ví­cio é que as pessoas não encontram ra­zões para parar. O medo da prisão pode ser uma delas. A outra é a certeza de ter uma vida melhor livre das drogas.



A prisão pode ser eficiente mesmo com a facilidade de conseguir drogas atrás das grades?



Sim, porque o indivíduo não estará na rua, violando a lei. A prisão não é uma instituição terapêuti­ca. Sua função principal é prevenir crimes que um condenado poderia co­meter se estivesse solto. Há também evidências de que, quanto mais tempo uma pessoa fica na cadeia, menor a probabilidade de voltar à bandidagem depois de ser libertada.



Penas longas são mais eficientes?



Sim. Na Inglaterra, por exemplo, temos pe­nas muito brandas e poucos detentos. Isso não é bom. A polícia inglesa, muito incompetente, prende apenas um em cada doze assaltantes de casas .. Destes, um em cada treze recebe pena de prisão. Isso significa que apenas um em cada 156 assaltantes cumpre pena em presídio. A média para esse tipo de crime é de um ano de cadeia. Na In­glaterra, isso significa que o bandido é solto em apenas seis meses. Com uma punição tão leve, a pergunta não é por que ocorrem tantos assaltos, mas por que há tão poucos. Meu país deixou de ser uma sociedade ordeira para se tor­nar uma das mais afetadas pela crimi­nalidade, quando comparada a outras da Europa. O número de presos caiu em proporção ao de crimes. Em 1900, para cada 6,5 crimes registrados, havia um detento. Em 2000, eram 114 cri­mes para cada preso. Claro que penas curtas são melhores do que nada. Um bandido reincidente comete, em mé­dia, 140 crimes por ano. Ou seja, se ele for mantido na prisão por seis me­ses, setenta crimes serão evitados, o que também é bom. Um dos argumen­tos contra as penas de prisão é que a maioria dos detentos é pobre, e que is­so é injusto. Ocorre que a maior parte de suas vítimas também é pobre.

E, como o número de vítimas é sempre muito maior do que o de bandidos, prendê-los não é uma punição aos pobres, mas um benefício a eles.



A Justiça brasileira passou a ter à sua disposição medidas altemativas à prisão preventiva, como monitoramento eletrô­nico e pagamento de fiança. Isso é bom?



Pela experiência britânica, tais medidas são um desastre. Um terço de to­dos os crimes da Escócia, inclusive es­tupros e assassinatos, é cometido por pessoas em liberdade condicional. Sou a favor desse recurso em algumas cir­cunstâncias, como para crimes não violentos, mas para uso geral é uma tragédia. As tornozeleiras eletrônicas são uma temeridade em lugares onde a administração pública não é eficiente. Nem na Inglaterra a polícia consegue monitorar os criminosos com esses equipamentos. A pena de prestação de serviços comunitários também é um pesadelo. A taxa de reincidência para bandidos condenados a prestar servi­ços comunitários é a mesma dos que recebem pena de prisão: 70%. O pro­blema é que a estatística conta apenas os crimes cometidos após o fim da pe­na. Nada garante que, enquanto estão soltos, prestando serviços comunitá­rios, eles não cometam novos crimes. Por fim, em média, cada detento na In­glaterra já foi condenado outras dez vezes a penas alternativas. Ou seja, não adiantou nada. Basicamente, ao saber que cumprirão penas alternativas e ficarão soltos, os bandidos se con­vencem de que não têm nada a perder ao cometer um crime. É melhor man­tê-los presos, e por bastante tempo.













terça-feira, 12 de abril de 2011

RESUMO DA PALESTRA: "O IMPACTO DOS TRANSTORNOS MENTAIS NA DEPENDÊNCIA QUÍMICA" PARA ENCONTRO DE AMOR-EXIGENTE DE 17/04/2011

O IMPACTO DOS TRANSTORNOS MENTAIS NA DEPENDÊNCIA QUÍMICA






Em portadores de Transtornos Mentais, o abuso ou dependência de substância é a comorbidade mais freqüente. A doença mental aumenta a chance do portador de abusar de substâncias. O uso de substâncias pode desencadear uma doença mental. Muitos portadores de Transtorno Mental não melhoram com tratamento Psiquiátrico por omitirem o abuso de álcool e drogas de seus Médicos. Muitos dependentes químicos apresentam imensa dificuldade para manter abstinência por possuírem uma doença mental sem tratamento. Assim, a doença mental deve ser investigada sempre e em todos os dependentes químicos. O paciente deve consultar um Médico Psiquiatra, que através de história familiar, exames laboratoriais (para afastar outras doenças), questionários direcionados, testes psicológicos e observação clínica fará diagnóstico e, se necessário, iniciará tratamento psicofarmacológico.

Os Transtornos Psiquiátricos mais comuns entre os dependentes de substâncias são:

-Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)
É o Transtorno mais comum em crianças e o mais subdiagnosticado em adultos.
Caracteriza-se por desatenção, hiperatividade motora e impulsividade.
Prevalência de 10% em escolares e 5% em adultos.
A cada 10 portadores de TDAH, 4 são usuários de substâncias.
A Nicotina ameniza sintomas da síndrome nos receptores noradrenérgicos envolvidos na regulação da atenção, ou seja, o cigarro é muito mais gratificante para um portador de TDAH. A cada 10 portadores, 9 são tabagistas.
Portadores de TDAH experimentam drogas mais cedo, usam-nas em maior quantidade, demoram mais para buscar tratamento e apresentam mais problemas no tratamento.
O tratamento deve envolver educação sobre a doença, sintomas e suas conseqüências (baixa auto-estima, comportamento de risco, dificuldade em seguir programa de 12 passos) para que o portador e sua família tenham condições de superar as dificuldades.

-Transtorno de Ansiedade
É o mais comum na população geral (1 em cada 4 pessoas)
Mais comum entre dependentes que entre abusadores de drogas. O ansioso tende a "beber para relaxar ou para enfrentar" e se torna dependente mais rápido.
A cada 10 pacientes que buscam abstinência, 7 têm transtorno de ansiedade.
O Transtorno de Pânico é um tipo de transtorno de ansiedade que pode ser desencadeado do uso de cocaína
A cada 10 portadores de Fobia Social, 5 são dependentes de álcool.
Portadores de transtorno de ansiedade fazem uso de substâncias como auto-medicação, na tentativa de equilibrar o sistema excitatório muito ativo (alarme). Porém, a substância que em um primeiro momento relaxa, tranquiliza, em um segundo momento leva ao agravamento do transtorno primário.

-Transtorno Afetivo Bipolar (TAB)

A cada 10 portadores de TAB, há 3 dependentes de álcool e 1 de drogas.
Há 2 casos de suicídio em cada 10 portadores de TAB - por isso a importância de um tratamento adequado, incluindo apoio familiar. A impulsividade e falta de crítica durante as crises de euforia (mania) aumentam o risco de suicídio.
Há perdas cognitivas leves durante as "crises" ou "ciclos", por isso ela precisam ser evitadas.

-Transtorno Depressivo

A cada 10 dependentes químicos, 5 apresentam quadros depressivos.
Deve-se investigar se a depressão é doença primária ou secundária ao uso.
Etanol (álcool) tem efeitos euforizantes e ansiolíticos fugazes e efeitos ansiogênicos e depressivos duradouros.

-Transtorno de Personalidade:

Os Transtornos de Personalidade foram descritos pela primeira vez por Kurt Schneider: "Psicopata é aquele que sofre ou que faz sofrer a sociedade. Não aprende com seus erros" (1887)
TP Borderline 10:8 Abuso de substâncias
TP Antissocial 10:9 Abuso de substâncias
Não se vinculam
Resistentes às mudanças de estágio no programa de 12 passos
Baixa aderência ao tratamento
Abandono precoce do tratamento
Dificuldade em seguir regras e em aceitar figuras de autoridade
Manipuladores
Insensível "ao outro"
Baixíssima tolerância às frustrações.

-Transtornos Psicóticos


Sintomas: agitação, delírios paranóides, persecutórios, desorientação, confusão mental, alucinações auditivas e visuais, impulsividade e violência -> Investigar substâncias na urina
12% dos casos de esquizofrenia na Inglaterra foram desencadeados pelo uso de maconha.
Esquizofrenia 10:5 abuso de substâncias
A cada "crise" ou "surto" há perda irreversível de funções cognitivas.

-Transtornos Alimentares


Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa e Compulsão Alimentar
Após 6 meses de tratamento, 50% apresentam recaídas.
Metade do número de portadores de Transtorno alimentar faz uso de substâncias, principalmente na bulimia (cocaína, anfetaminas e crack para controlar o peso)
Metade das mulheres em tratamento para dependência química no PROMUD têm algum transtorno alimentar (41% comer compulsivo, 30% bulimia, 8% anorexia)
Presentes tanto na “ativa” quanto na abstinência da adicção
Uso de anfetaminas, cocaína e crack (anorexígenos)
Abuso de fluoxetina, sertralina e sibutramina (antidepressivos)
“DRUNKOREXIA” ou “EBRIOREXIA”
-Tabagismo

50% dos pacientes psiquiátricos fumam (contra apenas 25% da população geral)
Nicotina é droga que causa morte lenta e silenciosa
50% da população geral consegue parar de fumar, apenas 15% dos pacientes psiquiátricos o fazem.
Falsas crenças: Os pacientes Psiquiátricos não conseguirão parar de fumar; sem o cigarro ficarão ansiosos e agressivos.
Nicotina atinge o cérebro em 9 segundos
Funções cognitivas complexas: atenção, aprendizado, memória, percepção, controle motor e dor.
Estimula liberação de dopamina e serotonina -> sensação de prazer
Tabagistas 10:6 Depressão
Alcoolistas 10:9 Tabagistas
Usuários de drogas 20:19 Tabagistas
Não fumantes mantém-se abstinentes de substâncias por períodos maiores que os fumantes.


É importante ficar atento às compulsões!

É muito frequente um adicto conseguir ficar "limpo" às custas de desenvolver outro comportamento compulsivo, como se substituisse a compulsão por drogas ou álcool por outra compulsão.
Esses comportamentos são repetitivos, freqüentes e excessivos (rituais), mal adaptativos (geram sensação negativa), e são hábitos aprendidos e seguidos por alguma gratificação emocional (ativação do sistema de recompensa cerebral)

Compulsões mais frequentes:
lavagem das mãos ou do corpo;
verificação;
ordem, simetria, seqüência ou alinhamento;
colecionar ou armazenar objetos,
tocar;
orações;
fazer contagens ou listas.

Compulsões do contemporâneo:

-transtornos alimentares,

-compulsões sexuais - ato repetitivo de busca de prazer sexual como tranqüilizante, diminuindo sentimentos de ansiedade, medo e solidão
Erotomania e Ninfomania = exagero do desejo sexual
Masturbação compulsiva, sexo virtual
Promiscuidade
Parafilia: exibicionismo, voyeurismo, pedofilia

-compulsões às informações e à internet - “WEBAHOLICS” ou portadores de TDI (Transtorno de Dependência a Internet)
Sensação de prazer – ativa sistema de liberação de dopamina
Necessidade contínua e crescente de se conectar
Ansiedade quando “offline”
E-trombose: coagulo formado nas pernas e se espalha causando embolia pulmonar e IAM
CVS – Síndrome da visão de computadores:irritação, olhos vermelhos, coceira, secura ou lacrimejamento, fadiga, sensibilidade à luz, sensação de peso nas pálpebras ou fronte, dificuldades em conseguir foco.
Problemas articulares – dores e lesões

-workholismo - não consegue se desligar do trabalho mesmo fora dele, deixa de lado seu parceiro(a), filhos, pais, amigos, os seus melhores amigos passam a ser aqueles que tem ligação com seu trabalho. Tem qualidade de vida ruim, insônia, surtos de mau-humor, impotência, agressividade quando fracassado ou pressionado, depressão, medo de fracassar.

-vigorexia - obsessão pela estética ideal - volume e intensidade de atividade física que excede a capacidade de recuperação, auto-imagem distorcida, síndrome de Adônis, overtraining, dor muscular e fadiga persistentes, ritmo cardíaco elevado, Infecções e lesões, irritabilidade, depressão e perda de motivação, insônias, perda de apetite e peso, menor desempenho sexual

-compulsão a compras - Ansiedade por satisfazer o desejo de ter algo – planos elaborados de como fazê-lo – compra - alívio da ansiedade com a compra – dívidas e comprometimento de seus bens e renda – sensação de vazio – desejo de nova compra
2% da população mundial
Grupo de Apoio: “Devedores Anônimos

-automutilação - lesão provocada no próprio corpo sem intenção de suicídio para alívio de emoções insuportáveis.
Esmurrar-se, chicotear-se, enforcar-se
Morder mãos, lábios, língua, ou braços
Reabrir feridas (dermatotilexomania)
Arrancar os cabelos (tricotilomania)
Queimar-se (cigarro, produto químico, sal e gelo)
Furar-se (agulhas, arames, pregos, canetas)
Beliscar-se,
Ingerir agentes corrosivos, alfinetes
Envenenar-se, medicar-se

Tais comportamentos compulsivos trazem muitas perdas e presisam de tratamento!